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22 de Outubro de 2018

Reflexões sobre o mercado de turismo

Isabela Baccarini, Estudante de Direito
Publicado por Isabela Baccarini
há 2 anos

REFLEXÕES SOBRE O MERCADO DE TURISMO

Isabela Baccarini Nogueira

Paula Elisa dos Santos

Rafaella Pedroza de Aquino

Direito Econômico – Professor Mário Saveri

Resumo

O presente artigo aborda o turismo no Brasil, englobando seu conceito, suas características, tais como tipos de mercados turísticos, demanda e oferta, efeito multiplicador, além de seus impactos socioeconômicos na geração de empregos, dentre outros tópicos. Foi realizada análise do turismo, tendo os turistas como elementos indispensáveis neste setor, uma vez que buscam experiências diversas em suas viagens, objetivando maximizar a utilidade das mesmas. Afinal, o turismo desempenha papel bastante relevante na economia, tanto nacional quanto global.

Palavras-chave: Turismo. Demanda. Oferta. Mercado. Economia. Impactos socioeconômicos. Efeito multiplicador.

Abstract: This article discusses tourism in Brazil, encompassing its concept, its characteristics, such as types of tourist markets, supply and demand, multiplier effect, and its socioeconomic impacts on job creation, among other topics. Tourism analysis was performed with tourists as indispensable elements in this sector, since seeking different experiences in their travels, aiming to maximize the utility of the same. After all, tourism plays very important role in the economy, both national and global.

Key words: Tourism. Demand. Offer. Marketplace. Economy. Socioeconomic impacts. Multiplier effect.

Sumário

1 Introdução... 2

2 Conceito de turismo... 2

3 Mercado de turismo... 3

4 Demanda e oferta turísticas... 4

5 Impactos socioeconômicos do turismo... 5

6 Conclusão... 6

Referências...7

1 Introdução

A humanidade passou, ao longo dos anos, por diversas mudanças na vida pessoal e social. As atividades turísticas também foram alcançadas por tais mudanças, sobretudo no que diz respeito às telecomunicações e tecnologia, que apresentam ao turista e aos profissionais da área uma imagem globalizada de locais e culturas, convidando os turistas a visitá-los.

Cada vez menos o turismo pode ser considerado como um setor periférico, devendo ser visto como importante fator de desenvolvimento econômico, gerador de renda e empregos. Assim, o estudo do turismo é de extrema importância para o desenvolvimento de novas estratégias para desenvolvimento desse mercado.

Atualmente, o turismo é uma das atividades econômicas que mais competem no ambiente da globalização, e a globalização exige estratégia, planejamento e diretrizes adequadas.

2 Conceito de turismo

Conforme estabelece o artigo da Lei nº 11.771, considera-se turismo as atividades realizadas por pessoas físicas durante viagens e estadias em lugares diferentes de seu entorno habitual, por período inferior a um ano, para finalidade de lazer, negócios ou outros.

A primeira definição de turismo no âmbito econômico de que se tem notícia foi dada pelo austríaco Herman Von Schullard, apud Ednilson José Arendit, in verbis:

“soma das operações, principalmente de natureza econômica, que estão diretamente relacionadas com a entrada, permanência e deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região”. (2000, p. 20)

Wahab apud Ednilson José Arendt, por sua vez, assim conceitua o turismo:

“Turismo é uma atividade humana intencional que serve como meio de comunicação e como elo de interação entre povos, tanto entro de um mesmo país como fora dos limites geográficos dos países. Envolve o deslocamento temporário de pessoas para outra região, país ou continente, visando à satisfação de necessidades outras que não o exercício de uma função remunerada. Para o país receptor, o turismo é uma indústria cujos produtos são consumidos no local, formando exportações invisíveis. Os benefícios originários deste fenômeno podem ser verificados na vida econômica, política, cultural e psicossociológica da comunidade”. (2000, p. 21)

O turismo no Brasil é estruturalmente dividido em quatro órgãos: o Ministério do Turismo, o Conselho Nacional do Turismo, responsável por ditar as políticas anuais e plurianuais do turismo no Brasil; a EMBRATUR, responsável por executar as políticas traçadas pelo órgão anterior; e SNT, que desenvolve os órgãos anteriormente citados e o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais do Turismo.

3 Mercado de Turismo

O mercado turístico é a interação da demanda e da oferta de produtos relacionados com as atividades que envolvem bens e serviços de viagens e relacionados. É considerado uma ampla rede de informações, pela qual consumidores e produtores trocam informações, possibilitando a tomada de decisões sobre compra e venda desses bens e serviços. Essas informações no meio turístico são transmitidas por meio dos preços de seus bens e serviços, o principal mecanismo de todo sistema de mercado.

O preço é determinado pelas forças que atuam no mercado. O equilíbrio no mercado turístico acontece quando ocorre interação entre a demanda (determinada pelo menor preço pelo qual o consumidor pode adquirir o produto turístico) e a oferta (determinada pelo maior preço que os produtores desejam oferecer o produto). Este equilíbrio é chamdo de lei da oferta e da procura.

O produto turístico é caracterizado no mercado como complementar, uma vez que é consumido juntamente com outros produtos, que se complementam entre si, originando o produto turístico integrado. Como exemplo, quando o turista planeja uma viagem, já inclui, consequentemente, outros serviços que são componentes básicos e necessidades desta, tais como hospedagem, alimentação, atividades de entretenimento, passagens de deslocamento, entre outros. Por outro lado, o produto turístico é também considerado substituto no mercado, já que, dentro de cada um destes componentes da viagem, há infinitos elementos que se constituem como bens e serviços substitutos para os demais.

O mercado turístico se subdivide em: 1) mercado de competição perfeita ou pura, no qual há uma posição de pleno emprego dos fatores de produção. Neste mercado existem inúmeros produtores e consumidores bem informados; 2) mercado de monopólio, que tem como característica básica a inexistência de concorrência, uma vez que há apenas um vendedor de um tipo de bem ou serviço que não apresenta similares próximos, fazendo com que o consumidor seja praticamente dependente desse produtor, que dita suas regras e preços de venda da forma como deseja; 3) mercado de oligopólio, no qual existem poucos vendedores, cada um com um público específico, podendo ser os produtos homogêneos ou diferenciados. Na indústria turística, temos como exemplo as empresas aéreas nacionais, um mercado de oligopólio em que os produtos são homogêneos; e 4) mercado de concorrência imperfeita, que é um misto dos anteriores, no qual muitas empresas produzem inúmeros bens e serviços similares que, para serem escolhidos pelos consumidores, devem ter alguma particularidade. A concorrência imperfeita se constitui por produtos diferenciados que podem, entretanto, ser substituídos entre si. As operadoras e serviços hoteleiros são elementos do mercado turístico que caracterizam a concorrência imperfeita, pois existe o poder de controle do mercado por parte dos ofertantes.

4 Demanda e oferta turísticas

Demanda é a quantidade de determinado bem/serviço que as pessoas desejam adquirir, a determinado preço e em determinado momento. Para Beatriz Helena Gelas Lage e Paulo César Milone:

“a relação entre a quantidade demandada e o preço do produto turístico, chamada de curva da demanda, apresenta uma relação inversamente proporcional, pois a medida que os preços aumentam, os indivíduos tendem a consumir menos quantidade de bms e serviços turísticos e vice versa”. (2000, p. 26).

Alguns produtos, mesmo não se relacionando diretamente com a atividade turística, quando consumidos por viajantes, são considerados também produtos turísticos, adentrando, assim, nos índices da demanda turística. Os produtos turísticos são representados, principalmente, por transporte, hotelaria e agenciamento, que poderão, no entanto, englobar outros segmentos.

A demanda pode ser classificada em potencial ou real. A demanda potencial se caracteriza pela existência de um número de pessoas que preenchem os requisitos para poderem consumir algum produto turístico. É alvo da publicidade e propaganda turística. Já a demanda real ocorre quando um grupo de pessoas efetivamente consumiu o produto turístico.

A escolha de um produto ou serviço turístico entre os demais é influenciada, principalmente, pelo preço dos produtos turísticos, pelo preço de outros bens e serviços, pelo nível de renda dos consumidores, pelo gosto ou preferência dos indivíduos e pela propaganda.

Por outro lado, nas palavras de Beatriz Helena Gelas Lage e Paulo César Milone, a oferta turística é

“a quantidade de bens e serviços que os produtores desejam vender por um dado preço e em dado período de tempo. No turismo, podem-se considerar todos os produtos que são colocados à disposição dos viajantes pelas várias empresas que atuam na área”. (2000, p. 27)

A oferta turística é influenciada por vários fatores, como preço do produto turístico, preço dos fatores de produção, tecnologia e governo.

Os produtos do setor turístico, em relação à demanda e oferta, podem ser considerados como elásticos, inelásticos ou unitários. Como exemplo, uma redução nos preços de viagens de lazer resultará em uma grande demanda pelos consumidores, demonstrando ser um produto extremamente elástico. Por outro lado, em relação à viagem de negócios, uma redução no preço do produto turístico, ainda que em alta temporada, não resultará em uma elevação tão significativa na demanda para as viagens, demonstrando ser, neste caso, um produto inelástico. Se ocorrer a igualdade, o produto turístico será considerado de elasticidade unitária.

Cumpre salientar sobre a existência da elasticidade - preço da demanda, que representa a variação da quantidade demandada de um produto (bem ou serviço) turístico, em função de uma variação no preço do mesmo. Por outro lado, a elasticidade – renda da demanda representa a variação da quantidade demanda de um produto turístico em função da variação na renda dos consumidores. Por fim, a elasticidade – preço da oferta representa a variação da quantidade oferecida de um produto turístico em função de uma variação no preço deste produto.

5 Impactos socioeconômicos do turismo

Conforme Beatriz Helena Gelas Lage e Paulo Cesar Milone:

“O turismo, na sociedade moderna, pode ser considerado um conjunto de atividades econômicas diversas que englobam os transportes, os meios de hospedagem, os agenciamentos de viagens e as práticas de lazer, além de outras tantas açõres mercadológicas que produzem riquezas e geram empregos nas muitas regiões do país.” (2000, p. 117).

A indústria do turismo vem, cada vez mais, ganhando relevância econômica e social e contribuindo com o mercado de trabalho e proporcionando uma distribuição mais justa da renda.

Algumas das vantagens geradas por essa atividade econômica são o aumento da urbanização, incremento de indústrias ligadas à atividade turística, geração de emprego no setor turístico, aumento dos investimentos e consequente geração de empregos no setor da construção civil, aumento de demanda por produtos artesanais, o incremento da entrada de divisas do país receptor e a possibilidade do aumento da arrecadação de impostos e taxas. Tendo em vista que o mercado turístico é de alta competitividade, exige-se cada vez mais uma maior capacitação profissional e práticas de alta qualidade e atendimento.

De acordo com Beatriz Helena Gelas Lage e Paulo Cesar Milone,

“o turismo apresenta efeitos econômicos, sociais, culturais e ambientais múltiplos, e que não devemos assumir que seus resultados sejam equivalentes em todas as partes e igualmente para todas as pessoas envolvidas”. (2000, p. 117).

Em relação ao mercado de trabalho, a multiplicidade de atividades interligadas com o setor turístico gera várias oportunidades de emprego, tanto para trabalhadores especializados quanto semiespecializados. Um dos motivos que contribuem para essa massiva geração de empregos é o fato de que a tendência à automação é menor nesse setor do que no industrial.

A atividade turística permite, ainda, que sejam criados novos cargos com diversidade qualitativa, a partir de novos investimentos, o que contribui para o preenchimento de vagas em micro, pequenos e médios empreendimentos e em áreas de desemprego estrutural, como os centros urbanos e as áreas rurais.

Importante destacar, também, o efeito multiplicador que o mercado turístico proporciona na economia por meio de investimentos, rendas, emprego e outros fatores. Esse efeito ocorre quando o nível da atividade de uma indústria pode acarretar modificações no nível de atividades de outras indústrias, criando um multiplicador na economia como um todo e proporcionando um equilíbrio da renda nacional.

No turismo, esse efeito está relacionado com vários fatores, tais como predisposição marginal a consumir e a poupar, as importações, a área geográfica do local, bem como outros fatores.

O efeito multiplicador é de grande importância na economia, sobretudo no que diz respeito ao mercado turístico, que, por suas diversas atividades, relacionadas com outros setores, deve ter seus impactos positivos maximizados pelo melhor uso dos recursos disponíveis.

6 Conclusão

O mercado turístico é de grande relevância na micro e na macroeconomia, estando ligado à economia pela produção de recursos para satisfação das necessidades humanas e pela multiplicidade dos problemas econômicos e causas e efeitos que apresenta. Esse mercado apresenta, ainda, uma grande margem de variação, se mostrando como um setor não estável, variando de época para época e de lugar para lugar, acompanhando a evolução do comportamento humano.

Cabe ao agente público organizar uma política de turismo capaz de maximizar os impactos socioeconômicos positivos derivados da indústria turística. É evidente a expectativa de lucro ocasionada pela demanda por produtos turísticos.

O turismo pode trazer diversos impactos, positivos ou negativos, nos países receptores, podendo os principais agentes serem os sujeitos ativos ous passivos destes processos.

Referências

ARENDIT, Ednilson José. Introdução à economia do turismo. 2ª edição. Campinas, SP: Editora Alínea, 2000.

LAGE, Beatriz Helena Gelas; MILONE, Paulo Cesar. Turismo: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2000.

TRIBE, John. Economia do lazer e do turismo. Tradução de Maria Cláudia Pires Lopes. 2ª ed. Rev. SãoPaulo: Manole, 2003.

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